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Eliana Bussinger: 'Educar-se financeiramente é passar a dirigir nossas próprias vidas'
 
Para a consultora e educadora financeira, a educação financeira permite à pessoa "tomar posse do seu futuro". Leia, a seguir, a entrevista.
 
22 de agosto de 2008
por Maria Clara Pitol
 

Eliana Bussinger é consultora e educadora financeira. Financista formada pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), é autora dos livros “As leis do dinheiro para mulheres” e “Vigilantes do Bolso”, ambos lançados pela Editora Campus. Também atua como colunista de vários sites, entre os quais Vya Estelar, Infomoney e Mulherinvest. Na entrevista exclusiva a este site, a especialista fala sobre educação e independência financeira, a importância de poupar, investir e de construir um futuro, além de dar dicas aos jovens que desejam aprender já a se planejar bem financeiramente.

O que é educação financeira e por que é importante educar-se financeiramente?

Eliana Bussinger – A educação financeira é o ensino de uma linguagem muito especial: a das oportunidades no mundo financeiro e no mundo dos negócios. Quando sabemos essa linguagem estamos capacitados a ler, analisar e administrar todas as questões que envolvam o nosso bem-estar nessa área. Os norte-americanos definem educação financeira como “a habilidade de discernir entre as várias escolhas financeiras e discutir questões relativas a finanças sem desconforto”. Ou apesar dele, poderíamos dizer. Com raras exceções, as pessoas que buscam conhecimento financeiro extraem grande satisfação desses momentos, porque passam a perceber que não precisam mais delegar seu futuro a ninguém. Sentem que saem do banco do carona e vão para o do motorista, passando a dirigir suas próprias vidas. É a educação financeira que nos torna 100% responsáveis por nossas conquistas e pelo futuro que desejamos.

Como podemos nos educar financeiramente? Onde obter as informações corretas?

Bom, a não ser que o sistema educacional mude e o ensino financeiro passe a ser disponibilizado nas escolas, como já acontece em alguns países do mundo, o auto-aprendizado ainda é a resposta. A grande vantagem do jovem hoje é o fato deste conhecimento se encontrar amplamente disponível em livros e na internet. Em coisa de três anos criou-se uma imensa massa crítica em torno dessas questões. Como trabalho com isso desde 1996, posso garantir que as coisas mudaram muito nesses últimos anos. Muitos sites formidáveis estão à disposição, além de várias comunidades no Orkut. Hoje é muito mais fácil desenvolver consciência financeira. A conectividade nos ajuda a perceber os rumos da sociedade e dos mercados com enorme rapidez. Evidentemente conhecimento não é tudo. Não é suficiente para garantir que tudo dará certo e que você sempre tomará decisões corretas e ficará rico. Mas é possível afirmar que quanto mais conhecimento tivermos, mais confiança teremos para assumir riscos e mais capacitados estaremos para distinguir quais oportunidades são genuínas, quais não merecem crédito e quais são verdadeiras furadas.

O que é independência financeira?

É controlar o dinheiro e não ser controlado por ele. Em uma expressão corriqueira do mercado, dá para dizer que ser independente financeiramente é ter o dinheiro como escravo e não como patrão. Para ser independente financeiramente é preciso desenhar no presente o futuro que se quer viver e correr atrás para que esse desejo se torne realidade. Quem é independente financeiramente cria um plano de gastos e poupança para construir qualidade de vida no presente e no futuro. Essas são as pessoas capazes de fazer escolhas deliberadas. Quando não se depende de ninguém (de pais, do governo, do parceiro) a gente escolhe o que quer ser, fazer ou ter. E mais, escolhe onde e com quem quer estar. Isso sim é liberdade! E é um poder que o dinheiro nos dá: liberdade de escolha. Ser independente financeiramente é nunca se sentir incapaz de fazer o que quer que seja por falta de dinheiro.

Quem lida melhor com o dinheiro: o homem ou a mulher? Por quê?

O homem! Essa resposta é aparentemente a correta. Os homens inventaram o dinheiro, as bolsas de valores, os bancos, as corretoras, as empresas. E não foi ontem! Isso aconteceu há boas centenas de anos. Portanto é de se esperar que eles saibam o que estão fazendo. Apenas uma geração atrás, ensinávamos os filhos homens a mexer com dinheiro e as meninas a bordar. Eles ganham melhor, têm mais dinheiro, gastam mais com cartões de crédito, são ¾ dos investidores individuais pessoas físicas, são os presidentes de bancos e das corretoras e são bem mais de ¾ dos aposentados. Mas será que tudo isso responde à pergunta? Ninguém pode afirmar com certeza porque as diferenças ainda são muitas. Eu tenho visto gente respondendo a essa pergunta com extrema leviandade.

Só poderíamos comparar se houvesse igualdade. E pelo que você viu acima, fica impossível concluir qualquer coisa. No sistema financeiro é como comparar laranjas com espinafre. O que eu posso afirmar é que, em alguns anos, quando as mulheres estiverem, finalmente, expostas ao conhecimento financeiro amplo - o mesmo que estiver ao alcance de qualquer homem – quando elas representarem ao menos metade dos investidores e forem remuneradas à altura das suas competências, então poderemos avaliar quem faz isso melhor. A minha esperança é que já nessa geração de jovens adultos isso comece a se cristalizar. Também posso garantir, resultado de anos trabalhando com mulheres, que quando elas se educam financeiramente e quando são tratadas pelos agentes financeiros sem preconceitos acabam, sim, lidando muito bem com o dinheiro.

É verdade que, para juntar dinheiro, importa menos o quanto ganhamos e mais a forma como gastamos?

Essa regra sem dúvida é uma das mais importantes. Várias pesquisas já demonstraram que aqueles que são milionários hoje, em qualquer lugar do mundo, acumularam suas fortunas vivendo uma vida frugal. Naturalmente me refiro às pessoas normais que construíram suas fortunas com esforço e trabalho e que seriam bons exemplos para qualquer um de nós, principalmente de garra e disciplina. O excelente livro “O milionário mora ao lado” ( de Thomas J. Stanley e Willian D. Danko, lançado no Brasil pela Editora Manole) mostra essa realidade. Enriqueceram, no passado, aqueles que tiveram a disciplina de gastar muito menos do que ganhavam. Essa regra ainda vale. Mas a ela se soma outra, nesse novo século. Uma regra, infelizmente, ainda pouco apreciada pela sociedade brasileira da atualidade: a busca pelo diferencial competitivo no mercado de trabalho através da educação.

Quando mais conhecimento, maior a possibilidade de aumentar as receitas. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou, em pesquisa recentíssima, que os brasileiros que possuem nível universitário ganham, em média, 190% a mais do que os que não são diplomados. Naturalmente, quem ganha mais tem maior chance de poupar e, a princípio, conseguir liberdade financeira mais cedo. Mas isso de nada vale se tudo for gasto ou se houver endividamento. Por isso, continua verdadeira a afirmação de que liberdade financeira se constrói não apenas com aquilo que se ganha, mas com o que sobra daquilo que se ganha. Não tem milagre.

Qual a importância de poupar? E de investir?

Com raras exceções – aquelas do tipo gênios, herdeiros, sortudos e malandros – todas as outras pessoas que atingiram algum estágio de auto-suficiência financeira o fizeram através de poupança (deixar de gastar hoje o dinheiro de amanhã) e investimentos (colocar o dinheiro para trabalhar por nós). Então, se você não se encaixa em nenhum dos quatro tipos, provavelmente terá que percorrer o caminho clássico para enriquecer, ou seja, poupar e investir. Lembra-se do (economista norte-americano Milton) Friedman, o da frase “não há almoço de graça”? Nem para nós, nem para os quatro tipos citados. Qualquer ato gera uma conseqüência, cujo custo reside no futuro. Aliás, eu gosto de uma outra frase, essa do Daniel Webster: “No topo da pirâmide há sempre mais espaço”. Acho que isso define a importância de poupar e investir.

É na família que aprendemos a lidar com dinheiro? Em que medida a idéia de que enriquecer é ruim, “pecado” etc, pode fazer com que uma pessoa tenha problemas em lidar com dinheiro?

Por enquanto, é a família que passa o conhecimento financeiro. E também passa os mitos, os valores e as crenças que nos levam para frente ou que nos puxam para trás! E o que as famílias brasileiras têm passado, infelizmente, é a cultura da nobre e politicamente correta pobreza. Ou então a cultura do bom emprego. Pouco se ensina sobre o empreendedorismo, a autonomia, a liberdade financeira. Parece que vamos sendo empurrados a crer que as pessoas ricas, bem-sucedidas são desonestas, corruptas e que há algo especial em ser pobre, sem perspectiva. Isso resulta de vários fatores que vão desde as questões religiosas (é pecado) às questões políticas e sociais. A cultura de massa nos bombardeia com esses conceitos da nobreza da alma associada à pobreza do bolso. Acho tudo isso muito grave. Primeiro porque não existe mais a hipótese de ignorarmos a necessidade de termos dinheiro e de acumularmos reservas financeiras capazes de nos manter dignamente, seja no presente, seja na terceira idade.

Jogaram nas nossas costas a responsabilidade pela previdência, então temos que nos prevenir, certo? Não há saída, pelo menos não no atual sistema em que vivemos. E como fazemos isso? Poupando, investindo e acumulando pequenas fortunas que durem por muitas décadas (sabe-se lá quantos anos vamos viver!). O jovem de hoje vive uma realidade totalmente diferente da de seus pais. Em todos os sentidos. Por que haveria de ser diferente em termos financeiros? É claro que a realidade deles é diferente! O compasso do jovem é de urgência, de desenvolvimento e caducidade acelerados do conhecimento humano, de vida longa - muito longa - e de responsabilidades jamais imaginadas, inclusive – imagine você - cuidar de si próprio durante uma velhice que não pára de se alongar graças às evoluções sociais e científicas.

O tempo em que os jovens vivem hoje é do mais puro individualismo econômico. Isso é real. E não as baboseiras que a gente escuta por aí! Ainda que essa responsabilidade econômica pareça assustadora, ela é, em verdade, altamente libertadora. Se os jovens perceberem, ou se a eles for ensinado, que são livres para decidir o que fazer da própria vida e que não haverá rede de segurança lá na frente, então eles poderão traçar seu destino sem embaraços, sem um cavalo morto amarrado no pescoço, impedindo que ele avance. Isso sim é que é livre arbítrio.

Há poucos anos, esperávamos da previdência social ou dos nossos filhos um futuro seguro. Ou então não esperávamos futuro algum, porque a longevidade não era grande coisa mesmo. Mas isso acabou. Agora, se alguém prometer queijo de graça, cuidado! Ele provavelmente vai estar na ratoeira. Além disso, como a geração passada esperava muito de outras pessoas ou das instituições, sempre tinha alguém para culpar pelos seus insucessos. O que acabou acontecendo foi a maior tragédia que pode acontecer a alguém: gerações inteiras de pessoas que viveram muito aquém das suas potencialidades, esperando alguma coisa cair do céu. Felizmente isso não acontecerá mais. Os jovens terão que ser disciplinados, diligentes e persistentes, mas para eles o destino não será apenas uma questão de sorte, será principalmente de escolha. E isso é absolutamente formidável, porque as potencialidades poderão ser finalmente descobertas e exercitadas até seus limites!

Sabemos que existem vários perfis financeiros. Há pessoas que calculam cada centavo, outras que não sabem quanto têm e quanto gastam. É possível mudar o nosso perfil financeiro? Ele já é nítido quando somos ainda bem jovens?

Eu acredito que práticas sociais, principalmente nos relacionamentos amorosos, podem nos transformar. Não é incomum vermos pessoas que alteram sua forma de encarar as questões financeiras quando estão em casamentos com pessoas muito diferentes. Além disso, as pesquisas mostram que as mulheres, à medida que aprendem sobre o mercado financeiro, se tornam mais arrojadas. Os homens, ao contrário, quanto mais sabem, mais conservadores se tornam. Naturalmente, me refiro a um agregado e não ao indivíduo. Para alguns estudiosos da psicologia humana as pessoas não mudam, se adaptam. Para outros as mudanças podem sim ser significativas. Seja por adaptação ou por mudança mesmo, eu acho que é possível nos tornarmos mais flexíveis com relação aos nossos perfis.

É através do autoconhecimento e também do conhecimento financeiro que podemos fazer isso. Se formos perdulários ou “mão-de-vaca” e percebemos que não dá para agir nem de um modo nem de outro o tempo inteiro, então porque não flexibilizar, ceder um pouco, desde que não nos prejudique, nem prejudique aos outros? Os perfis não são tão nítidos. Nem são tão poucos. Mas quando há algum exagero – tanto na frugalidade quanto nos excessos – a gente percebe isso com maior clareza, óbvio. Em geral, acho que dá para desenvolver disciplina, tolerância, resiliência.

Essa nova geração, que não conviveu com a inflação, tem melhores condições de se planejar financeiramente? Por quê?

A inflação exacerbada foi realmente um problema. Alguns jovens sequer sabem disso, mas os brasileiros já conviveram com taxas de inflação de 80% ao mês. Isso mesmo, você não leu errado. Era receber o salário em um dia e comprar tudo que podíamos no máximo até o dia seguinte. Costumo chamar esse período de “administração do dia seguinte”. Nós cultuávamos o gasto imediato, não havia outra saída. No frenesi do dia seguinte sacrificávamos o futuro. Aliás, quem conseguia enxergar futuro? Era tudo uma grande névoa. Não havia nem curto prazo, quanto mais médio ou longo. Já as épocas de estabilidade são tão iluminadas quanto um belo dia de sol no Centro-Oeste brasileiro.

Conseguimos enxergar quilômetros adiante sem grandes esforços. Planejar torna-se preciso, no sentido verdadeiro da precisão de se navegar. É possível medir, fazer previsões, fazer contas, orçamentos. Embora essa não seja a única razão para os jovens estarem em melhores condições para planejar, é sem dúvida muito importante viver em períodos de estabilidade!

Historicamente, o que levou a população brasileira a chegar aos níveis de consumo que temos hoje?

O nível de consumo das famílias vem aumentando realmente. Ele aumenta por dois motivos: maiores investimentos por parte das empresas e do governo e maior oferta de crédito. São as razões que estão nas cartilhas econômicas e sem dúvida estão corretas. Mas há uma terceira questão (que não deixa de ser conseqüência dos dois motivos que citei) que reside na própria evolução da sociedade. É o que costumo chamar do fator “além da margarina”. Há um ponto de inflexão da sociedade em que as pessoas, expostas constantemente a uma certa forma de convívio social – especialmente retratado nos programas de televisão, nas novelas e nos comerciais – desejam ardentemente viver daquela maneira.

Passamos a querer além da margarina: a cozinha bem decorada, os pratos que estão na mesa, as roupas que as pessoas vestem, o cachorro golden retriever, os dentes brancos, o piso de granito. E se possível o belo marido – ou a bela esposa! Isso é evolução social! E a sociedade brasileira está nesse ponto de inflexão, inclusive porque vive um momento de estabilidade da moeda e de crescimento constante, ainda que pequeno em relação ao mundo, que permite perceber se e quando será possível conseguir algo próximo daquilo que se vê retratado na televisão e nas revistas.

Os jovens são uma parcela da população que em qualquer geração costuma consumir em excesso todo tipo de produto, em especial as novidades. Qual o perfil do jovem de hoje? O jovem brasileiro é consumista? Quais fatores levam esses jovens ao consumo?

Eu vivi muitos anos nos Estados Unidos. Se fosse comparar os jovens norte-americanos com os brasileiros, diria que estamos bem longe de ser consumistas. Para ser consumista é preciso ter poder econômico e isso não é a realidade dos nossos jovens, que quando muito são estagiários ou não trabalham. O que eu percebo é uma distorção na forma de consumir. Eu trabalhei, há alguns anos, ao lado de um jovem que ganhava uns dois salários mínimos. Um dia ele me disse que ia comprar um tênis de R$ 400,00. Levei um baita susto. Felizmente consegui demovê-lo da idéia de tal absurdo, mostrando o distanciamento entre a compra e o salário que ele recebia.

O jovem norte-americano, além de ganhar mais, paga muito menos pelas coisas que consome. É um paradoxo sem solução imediata esse que vive o jovem brasileiro. Sei que o tênis tinha uma simbologia para o garoto que citei, até mesmo de aceitação social. Mas é sempre melhor pensar com maior racionalidade e evitar ficar vulnerável no futuro. Ele colocou o dinheiro na poupança e começou a ler os artigos dos sites que indiquei. Meses depois ele me disse que não havia se arrependido de não ter comprado o tênis. E estava achando ótimo aprender sobre investimentos. Os desejos de consumo dos jovens brasileiros são bem claros: roupas, tênis, celulares, aparelhos eletrônicos. Até bem simples, eu diria. Eles gostam de colecionar fiozinhos. Eu gostaria que eles aprendessem a colecionar dinheiro e livros. Mas aí já é demais também!

Quais as dicas para mantermos uma situação financeira segura e saudável?

Aprender, aprender e aprender. Desenvolva alta consciência e capacitação financeira e tenha uma crença inabalável em você mesmo. Entenda que não há nada de errado em buscar – licitamente – o dinheiro e a liberdade econômica. O principal poder do dinheiro está na possibilidade de utilizá-lo para o crescimento individual, para o empreendedorismo, para ajudar as pessoas, para alcançar os nossos objetivos. Um dos segredos para se manter o dinheiro guardado é dar corda aos sonhos. A sonhos de alta monta, que não cabem nas nossas mesadas, nos nossos salários. Sonhos que precisam de planejamento.

Casar, comprar um carro, uma casa, abrir uma loja, montar uma ONG, fazer uma longa viagem pela Europa. Nada disso cabe nos salários da maioria das pessoas. Alcançar tais desejos é o que nos faz sair da cama com gana, com garra, com vontade de pular obstáculos de seis metros de altura. Dê um propósito ao dinheiro que você guarda. Só assim ele vai crescer e você também crescerá com ele.

Há dicas especialmente direcionadas aos jovens? O que devem fazer?

O jovem tem a vida inteira pela frente. É deles a mais invejada das mercadorias: o tempo. Ao invés de consumir em excesso deveriam utilizar-se dos seus anos mais produtivos, de maior vigor físico, para criar segurança financeira. Se eu tivesse que dar uma única dica para os jovens, diria: eduquem-se de todas as formas, inclusive financeiramente, para agarrar oportunidades que muitas vezes são tão passageiras quanto chuvas de verão. Aprendam que à medida que envelhecemos fica cada vez mais difícil alterar a nossa posição financeira na sociedade. As oportunidades se escasseiam com a idade e o poder de aumentar ganhos se reduz consideravelmente.

Além disso, existe algo que é muito importante para o jovem de hoje, e que não era sequer do nosso conhecimento no passado. As gerações anteriores detonaram o planetinha azul. Muitos de nós sentimos muito por isso. Peço perdão de joelhos diariamente a meus filhos. E pedirei, um dia, aos filhos deles. Além de pedir perdão, faço a minha parte. Sou tão exagerada, às vezes, que recuso sacos plásticos para embrulhar minhas verduras, na feira, e saio carregando os maços de brócolis e couve flor embaixo dos braços nas ruas de Ipanema, onde moro. Muitos certamente me acham meio doida.

Mas a verdade é que enquanto não desenvolvermos algum tipo de tecnologia que possa nos tirar dessa enrascada, simplesmente teremos que praticar a austeridade. Não há como consumirmos desenfreadamente. Não mais. Esse tempo passou. Hoje excesso de consumo não é mais sinal de sucesso. Muitas pessoas, principalmente lá fora, já estão sendo notadas pela abstenção. Artistas, escritores, músicos e políticos – muitos são ídolos dos jovens de hoje - estão conscientes de que o planeta está estressado e doente e já estão praticando essa nova austeridade. Os jovens precisam se conscientizar desses novos tempos. Não há escapatória! Não há como jogar 80 milhões de celulares – que ainda funcionam – nos lixões todos os anos (só no Brasil).

É possível se planejar financeiramente mesmo quando ainda se é universitário e não se recebe um salário?

Nós, humanos, somos seres planejadores. Creio que os únicos animais a perceber que há futuro. Por isso, planejar, para nós, é sempre possível. Os universitários, então! Com certeza pensam no futuro, ou não estariam estudando. É exatamente isso que um planejamento financeiro representa: um pé no presente e outro no futuro. Uma sugestão para o universitário: a sua formação acadêmica merece o lugar número um das suas prioridades. Depois disso cuidado com gastos excessivos, principalmente com roupas, celulares e saídas para a balada. Se não der para guardar dinheiro, ao menos procure entender o funcionamento do mercado financeiro, assim, quando você terminar seu curso e começar a ganhar mais poderá começar a investir sem grandes constrangimentos.

Como um jovem pode começar a construir a sua independência financeira?

Se você conhece o filme “De volta para o Futuro”, então faça exatamente isso! Vá até o futuro! O que você vê? Gostou? Quando exercitamos com freqüência a nossa visão de futuro, tendo por base a nossa direção atual, podemos fazer mudanças se algo não nos agradar. E sem alterar os rumos do universo, como no filme! Esse é o segredo das empresas. Sonhar, desejar ser algo além do que elas já são. E depois planejar. Liberdade financeira se conquista com sonhos, visão de futuro, estratégias de longo prazo, educação financeira, estabelecimento de objetivos e a crença de que o futuro existe, chega e merece ser vivido com equilíbrio e sossego.

Matéria produzida para o site Bradesco Universitários em janeiro de 2008.

 
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