Em 2009, já são mais de 12 mil jovens brasileiros de até 25 anos que são donos de um estabelecimento franqueado. Isso representa uma fatia de 16,10% de todo o universo de franquias no país - um crescimento de 17% em relação ao ano passado. ''São jovens que buscam, principalmente, sucesso rápido sem necessariamente ter experiência prévia, segurança no negócio e liberdade'', explica Marcus Rizzo, especialista em franquias há mais de 20 anos.
Os dados são da pesquisa anual realizada pelo Rizzo Franchise, empresa do especialista, que faz estudos sobre o mercado de varejo e franquias em todo o Brasil e América Latina. Outro índice apontado foi que esses dados só tendem a crescer, porque o número de jovens interessados em abrir uma franquia é de 50,55% em relação ao ano passado.
Os 465 franqueados de 186 diferentes franquias e 2.390 candidatos (que aguardam ser chamados pela franquia de interesse) ouvidos revelaram outro dado interessante: a disponibilidade de capital para investimento também aumentou entre os jovens.
Segundo a pesquisa, 43% dos jovens candidatos a uma franquia possuem até R$ 80 mil para investir no próprio negócio. Isso porque cada vez mais instituições financeiras têm acreditado no seu potencial. ''Ao contrário do que muita gente pensa, o jovem é disciplinado e obstinado quando quer alcançar o sucesso'', explica Rizzo.
Outra fonte de verba para o jovem vem da ajuda dos pais. ''A pesquisa não aponta dados numéricos sobre isso, mas sabemos que para a aprovação de um financiamento é preciso um sinal, que muitas vezes vem dos pais. Isso é uma prova da mudança do cenário econômico do país. Mostra que os pais estão mais abertos a investir nos filhos, e isso é muito bom'', afirma.
Segundo Rizzo, muitos jovens optam por um negócio próprio, porque notaram que há possibilidade de carreira fora das grandes empresas. O especialista acredita que ainda existem muitas oportunidades de bons empregos no mercado, e que o caminho do empreendedor é apenas mais uma entre as alternativas de trabalho.
''Creio que exemplos universais de jovens que se deram muito bem com seus negócios - como Bill Gates (fundador da Microsoft, maior e mais conhecida empresa de software do mundo) e Steve Jobs (co-fundador das empresas de informática Apple Inc, da NeXT e do estúdio Pixar) - alavancaram esse processo'', comenta.
Sucesso rápido
Se um dos principais motivos para um jovem optar por uma franquia é o fato de ela oferecer mais segurança para o negócio - por ser uma empresa que já tem um histórico de atuação estável no mercado -, por outro lado, um dos outros motivos é a busca pelo sucesso rápido.
''Essas duas intenções se contrapõem se formos pensar que a segurança e a estabilidade vêm com o tempo e, sendo assim, o sucesso rápido oferece um risco maior ao negócio'', alerta Rizzo.
De acordo com o especialista, é fundamental definir metas e trabalhar com planos futuros reais, que caibam dentro das possibilidades, para evitar surpresas desagradáveis. Além do que, a liberdade de ser o próprio patrão pode não estar exatamente numa franquia.
''A rede de franquias tem suas regras pré-estabelecidas. O franqueado terá liberdade por ser dono, mas será obrigado a trabalhar dentro dessas regras. O proprietário de uma lanchonete franqueada não pode criar um sanduíche, mas o dono da lanchonete própria pode'', exemplifica.
Exemplo de sucesso
Um exemplo de que os jovens podem se dar bem assumindo a liderança de uma franquia é a empresa Minds Idiomas, rede de franquias de escolas de inglês, que após dois anos de existência possui 18 franqueados - todos jovens.
''Depois da experiência com o alto desempenho do jovem, decidimos: só vamos selecionar jovens como franqueados em nossa rede'', conta Leiza Oliveira, fundadora da empresa, em nota divulgada por sua assessoria da imprensa.
''Eles têm uma garra fora do comum e não medem esforços para ultrapassar metas e desafios. Além disso, são ótimos gerenciadores de pessoas e sabem lidar tanto com os funcionários quanto com os próprios alunos, incentivando-os a ter determinação para o aprendizado de um novo idioma'', afirma.
Seriedade e comprometimento
Nos casos de falência das franquias, Rizzo garante que não há discrepância entre a quantidade de franquias lideradas por jovens ou empresários mais experientes no mercado.
''A falta de experiência pode até ser uma vantagem do jovem, que ainda não tem vícios de gestão e, dessa maneira, pode se adaptar melhor às normas da rede'', diz ele.
Porém, se a falta de experiência não compromete o sucesso do negócio, a falta de maturidade - ''que é bem diferente'' - tem potencial para acabar com tudo. Por isso, seriedade, comprometimento, determinação e bom-senso nunca são demais.
Outro conselho do especialista é para não se arriscar se o dinheiro não for suficiente. Se não houver capital para giro, é bom esperar mais um pouco. ''É como estar numa estrada cheia de pedágios, de bolsos vazios, dirigindo um carro, que, mesmo sendo seu, uma hora vai ter que parar de rodar'', ele explica.
Seleção de candidatos
Para entrar numa franquia, as empresas selecionam os candidatos avaliando o perfil de cada um deles. Caso o perfil se encaixe com procurado, a empresa aprova a compra da franquia.
Portanto, se o candidato não é aprovado, isso é vantajoso para os dois lados. ''O investimento que seria feito em um negócio com grandes chances de dar errado é vetado, o que salva o negócio da rede de franquias e do franqueado'', garante Rizzo.
Matéria produzida para o site Bradesco Universitários em 10/12/2009.