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A arte politizada 'made in Brazil'
 
Jovem artista brasileira faz arte contra o uso da energia nuclear, recolhendo vestígios visuais de radiação em Chernobyl, local do maior acidente nuclear da história.
 
22 de março de 2010
por Ana Luiza Hupe
 
Instaurada a polêmica em torno da retomada da construção da Usina Nuclear de Angra 3, que desde julho está com licença prévia do governo federal, volta à baila a questão do uso da energia nuclear. Uns a defendem como sendo uma energia limpa, que não polui o ar com dióxido de carbono (CO2), e outros lembram que até hoje não se encontrou destinação segura para o lixo atômico.

O assunto não preocupa apenas os especialistas e os ambientalistas. A arte também vem se ocupando dele. Um exemplo é o trabalho que a artista plástica carioca Alice Miceli, de 28 anos, desenvolve há pouco mais de um ano em Berlim, Alemanha, e que foi batizado de Projeto Chernobyl – Marcas do Invisível.

Vencedor do Prêmio Sérgio Motta de Arte e Tecnologia em 2006 – premiação que tem o objetivo de apoiar a criação artística e teórica em novas mídias –, o projeto de Alice ambiciona tornar visível a radioatividade excessiva de Chernobyl, na Bielo-Rússia, onde aconteceu o maior acidente nuclear da história, em abril de 1986.

Antes de ir a campo, a artista passou um ano pesquisando no Instituto de Radioproteção e Densidometria do Rio de Janeiro e, com a ajuda de seu orientador, Luiz Tauhata, desenvolveu uma câmera pin-hole (máquina fotográfica sem lente, que utiliza apenas um orifício para captar a imagem) de chumbo, especialmente criada para ir até a zona de exclusão.

A máquina, de mais de 60 quilos, levada do Rio até a Alemanha, capta os raios gama ao invés da luz. O que ela revela é mais parecido com um Raio-X do que com uma fotografia: são manchas azuladas que remetem às partes contaminadas pela radiação.

Depois de três estadas em Gomel, cidade bielo-russa com estrutura de hospedagem mais perto da área protegida, a cerca de uma hora de carro de lá, Alice revelou há menos de um mês os primeiros negativos e ficou animada com o resultado:

“Os impressos dos negativos 40x30cm são promissores. Dos pequenos pin-holes que espalhei ainda não dá para ter idéia do que vai dar realmente para ver”, conta a artista, em entrevista concedida especialmente ao Bradesco Universitários, num café em Prenzlauer Berg, o bairro onde morou assim que chegou à Alemanha.

No momento, Alice vive em Kreuzberg, “para conhecer outro lado da cidade também”.
Formada em cinema na École Supérieue d`Étude Cinématographic em Paris, França, e com especialização em História da Arte e Arquitetura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), ela é um dos jovens artistas contemporâneos do Brasil que ganham espaço na cena internacional.

Perguntada sobre o porquê de Berlim, Alice responde que depois dos três anos de faculdade na França e da passagem breve pela indústria brasileira do cinema como assistente de edição e direção de documentários dos cineastas Sandra Kogut e Silvio Tendler, ela sentiu necessidade de investir em seus próprios projetos.

Desde então, o lugar onde mora é “circunstancial”, como ela gosta de dizer. Antes da chegada a Berlim, ela passou quatro meses em Helsinki, Finlândia, contemplada com uma bolsa para jovens artistas concedida pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura).

Foi também até o Camboja, no sudoeste asiático, para fazer pesquisas em antiga prisão do Khmer Vermelho (organização política acusada da morte de cerca de 2 milhões de cambojanos entre 1975 e 1979), que acabaram resultando no trabalho “88 de 14 mil”, selecionado para o Videobrasil 2005 (Festival de arte eletrônica em São Paulo) e com ótima entrada em festivais internacionais como o Transmediale e New York Independent Film and Video Festival.

A Alemanha veio em seguida por um ótimo acaso. “Estava dando aula e, enquanto esperava os alunos atrasados chegarem, comecei a falar do projeto Chernobyl, que ainda estava começando. Um dos alunos ouviu e me colocou em contato com um conhecido dele, alemão colecionador de fotografia e defensor dos que sofreram com o desastre de Chernobyl”, conta a artista, que deu aulas de videoarte durante seis meses no Rio.

Entusiasta do projeto, Scumeck Sabottka é um renomado produtor musical na Alemanha e um dos financiadores da artista até o término das investigações na zona, previstas para o fim de 2008.
Alice assegura que, como ela, Sabottka é contra o uso da energia nuclear. “Eu sou totalmente contra porque mesmo com toda a segurança das usinas nucleares hoje, não há maneira de garantir que não haverá acidentes. O lixo atômico fica estocado e não tem como acabar com ele. A garantia de não ter acidente é a mesma de que um avião não irá cair. As chances são poucas, mas se acontecer um desastre, não vai ser em escala humana”, diz Alice.

Ela diz considerar um absurdo a construção de Angra 3, uma usina nuclear em meio a um santuário ecológico, e lembra que existem outras formas de se obter energia, inclusive a partir do próprio lixo.
Em fase de execução de Marcas do Invisível, Alice faz outros experimentos no ateliê que divide com uma alemã e um inglês em Mitte, bairro central da capital alemã. Depois da França, Finlândia, Vietnã e Alemanha, Alice ainda não sabe qual a próxima parada, mas não parece preocupada. Os editais e festivais é que vão ditar o seu destino.

Prêmio Sergio Motta

Alice Miceli foi a premiada do 6º Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia (2006). O prêmio apóia a criação artística e teórica em novas mídias e contempla várias áreas: artes visuais, música, literatura, dança, performance, artes interativas, arte e ciência e, ainda, pesquisas teóricas.

Desde 2006, o prêmio passou a ser bienal para, segundo os organizadores, fazer o acompanhamento mais aprofundado das bolsas-fomento, bem como realizar ações de difusão - palestras, fóruns, publicações e exposições. Saiba mais detalhes acessando o endereço do site: http://www.premiosergiomotta.org.br/.

Matéria produzida para o site Bradesco Universitários em agosto de 2008.
 
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