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Dilema digital: Como fazer história no futuro?
 
Com o uso de tecnologia digital, nunca foi tão fácil fotografar, filmar, gravar, produzir e publicar textos. Mas será que todo esse conteúdo estará disponível em alguns anos? O que está sendo feito para preservá-lo?
 
30 de setembro de 2011
por Paula Quental
 

As máquinas fotográficas e filmadoras digitais, os celulares e computadores conectados à internet facilitaram, e muito, a vida de quem quer registrar imagens, áudios, escrever e publicar. Nunca se fotografou e filmou tanto como hoje. Também nunca tantos escreveram tanto, com publicação quase que imediata em blogs, sites, redes sociais.

O resultado é uma imensa quantidade de dados produzidos digitalmente, os quais deverão ajudar a contar, no futuro, o que acontece no mundo hoje. Mas isso, claro, se tais dados forem encontrados no futuro.

Segundo um especialista no assunto, o fotógrafo e pesquisador de fotografia digital Marcos Issa, há uma preocupação mundial hoje com a forma como se está guardando (ou não guardando) todo esse material, ou seja, com os acervos digitais. Já se dá como certo que o que foi produzido na última década cairá no esquecimento, não poderá ser recuperado.

''Diversas razões estão nos levando a criar este enorme buraco negro. As mídias precisam ser preservadas. Alguém lembra do disquete, do SyQuest e do ZIP Drive? Mas não basta preservar as mídias e os leitores. As informações digitais precisam ser decodificadas e para isto sistemas e códigos precisam ser mantidos'', explica Issa.

O fotógrafo, que é contratado para organizar arquivos de fotografia digital de várias empresas e instituições, imagina que daqui a alguns anos haverá ''legiões de arqueólogos digitais tentando recuperar sistemas de informações, mídias e dados produzidos hoje''.

Essa questão do armazenamento digital e de encontrar soluções que garantam o acesso permanente a esses conteúdos é o que se chama de ''dilema digital''.

Leia a seguir a entrevista exclusiva com Marcos Issa, que também é sócio-diretor da Argosfoto e da Imagem Latente:

É verdade que o mundo corre um sério risco hoje de ver conteúdo de imagem, texto etc. produzido de forma digital se perder para sempre?

Marcos Issa - Sim, isto já está acontecendo. Se até a NASA perdeu as imagens originais da chegada do homem à lua, imagine as pessoas e instituições, muito menos preparadas. São inúmeros fatores que podem levar à perda de informações digitais.
 
Por que isso pode acontecer? Ainda não se sabe como arquivar adequadamente e preservar de forma perene os arquivos digitais?

Diversas razões estão nos levando a criar este enorme buraco negro. As mídias precisam ser preservadas. Também os leitores destas mídias precisam ser preservados. Alguém lembra do disquete, do SyQuest e do ZIP Drive? Mas não basta preservar as mídias e os leitores. As informações digitais precisam ser decodificadas e para isto sistemas e códigos precisam ser mantidos. Sabemos que é impossível manter máquinas e sistemas operando por muito tempo. A solução é migrar de uma mídia para outra mais moderna. No entanto os recursos não são infinitos. Não existe solução perene para arquivamento digital.

Os historiadores e outros especialistas estão atentos a esse problema ou essa preocupação ainda é de poucos? 

Existem especialistas, poucos, mas é um tema restrito às pessoas de TI. O problema maior é que as boas práticas são quase ignoradas pelos produtores de conteúdo, sejam amadores ou profissionais. Empresas jornalísticas, mesmo as grandes, tratam seus acervos de forma incrivelmente amadoras. Instituições de guarda, como museus e bibliotecas não sabem lidar com conteúdo digital. Imaginem as pessoas comuns, como será contar suas histórias dentro de 10, 20 anos? Grande parte, infelizmente, será perdida.

Essa é uma questão em pauta também nos países mais desenvolvidos?

Lá, ao menos na área da fotografia, existem grandes associações e organismos mergulhadas no assunto. Nos EUA a Biblioteca do Congresso apóia um projeto da American Society of Media Photographers (ASMP) chamado DpBestFlow, de pesquisa e difusão das ''boas práticas'' para o fluxo de trabalho; da captura ao arquivamento. Outro exemplo é o UPDIG, Universal Photographic Digital Imaging Guidelines.

O que se está fazendo no Brasil para preservar esses arquivos?

Boa pergunta. Na fotografia, instituições privadas, como o Instituto Moreira Salles (IMS) abrigam algumas coleções. Mas faltam ações de caráter educativo, de difusão do conhecimento. A Cinemateca Brasileira é, provavelmente, a instituição que melhor faça isto, embora mais voltada ao cinema. Deveríamos ter uma política pública voltada para produção e preservação de conteúdos digitais.

Quais são as principais dificuldades que você encontra quando é contratado para organizar arquivos de imagens?

Pessoal. É raro encontrar profissionais dedicados, mesmo nas áreas da biblioteconomia ou arquivologia. As universidades não preparam profissionais para lidar com imagens. Apesar de alguns processos serem similares ao arquivamento de outros documentos digitais, existe o analfabetismo visual. São raros os profissionais preparados para lidar com acervos fotográficos digitais.
 
Matéria produzida para o site Bradesco Universitarios em 23/02/2011

 
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